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O futebol é para mulheres?

Não há dúvida que o futebol feminino em Portugal tem ao longo dos últimos anos passado por mudanças diversas. O número de clubes tem diminuído e consequentemente o número de jogadoras, ou vice-versa. Tem sido feitas alterações ao longo dos anos mas não foi possível até ao momento encontrar um modelo compatível com a nossa realidade. No modelo actual espera-se que as Associações Distritais/Regionais tenham um papel mais activo e dinamizador, incentivando principalmente competição de Futebol 7, para desta forma formarem atletas para as equipas de futebol 11. Este é o objectivo actual. Tendo em conta a realidade que se apresenta, dou comigo a pensar: Será que o futebol pode mesmo ser praticado por mulheres? E se sim, que passos faltam para que o futebol evolua em Portugal?

Se analisarmos o percurso de um atleta do sexo masculino, este começa a treinar com cerca de 7 ou 8 anos. Após a passagem nas várias camadas já estruturadas no clube, com cerca de 18 anos, estão aptos a ingressar em qualquer equipa sénior. Por outro lado, uma atleta do sexo feminino, começa a treinar aos 13 anos, quando tem a sorte de encontrar uma equipa que a acolha. É inserida na equipa de formação, caso tenha, ou então treina juntamente com a equipa principal. Ora, para além da diferença no tempo de treino, entre o feminino e o masculino, existe a agravante de não haverem condições nos clubes para o desenvolvimento do futebol feminino, para a formação.

A essência do futebol como em qualquer desporto são os atletas. Quem pratica desporto é basicamente por motivos que se prendem com a competição, com a aptidão e com a influência de amigos ou familiares. Porque escolhem então o futebol e não qualquer outro desporto? Se perguntamos a maioria vai responder por ser a modalidade preferida e por ser a modalidade para a qual tem maiores capacidades. A motivação, mais até do que na vertente masculina é crucial e decisiva. Isto porque ao longo dos anos vejo muitos exemplos de jovens atletas promissoras, ou até mesmo de talentos, que abandonam o futebol. No feminino a realidade é que à medida que a atleta cresce, gera-se uma incompatibilidade de tal forma que, a partir de determinado momento, as exigências do treino/competição e o desempenho de outros papéis sociais tais como o estudo, a profissão e a família, são impossíveis de gerir. A agravar temos o facto de a grande maioria das atletas, não terem qualquer retorno social nem monetário. O que motiva então as resistentes? Todas dizem: o espírito e o trabalho em equipa. Para as mais ambiciosas será atingir um nível desportivo mais elevado, ultrapassar desafios e competir, fazer algo em que se é bom. Outras respondem fazer exercício, pertencer a um grupo e fazer novas amizades, divertimento. Para além da motivação das atletas existe outra coisa que é necessário que exista: condições para a pratica desportiva. Do que escrevi anteriormente acrescentem também o facto de muitas vezes a atleta ter que pagar do seu próprio bolso transporte, alimentação e equipamentos. Tem um campo no meio do monte com um balneário de dar a fugir ou então tem que percorrer não sei quantos quilómetros para ir para os treinos e jogos. Não tem um roupeiro que lhe trate do equipamento, e após cada treino ou jogo leva para casa o equipamento encharcado e cheio de lama. Isto ainda acontece! Terão estas atletas peso suficiente para mudarem o rumo das coisas? Será este o papel delas?

Para além das atletas, também os dirigentes dos clubes e treinadores do feminino, tem que ter motivação super e extra, isto porque todo o tempo investido no treino de uma atleta promissora que depois pelas razões apresentadas se revela uma frustração, é muito complicado. Ou então, temos as equipas adversárias a “roubarem” talentos porque o clube actual não apresenta as condições desejáveis. Não é possível estruturar equipas quando todos os anos se repetem trabalhos…Os que não se querem chatear desistem ou então, como referi, importam talentos de outros clubes, atletas já formadas. Poucos se querem dar ao trabalho…Depois normalmente não existem separação por camadas, é tudo ao molho. Podemos estar a falar para uma equipa com atletas com cerca de 13 anos de prática desportiva e outras 13 anos de idade. São realidades diferentes para ambas atletas…

Normalmente no futebol masculino existe o mercado de Dezembro, para compra e venda de atletas. No feminino o Dezembro é quando as forças começam a faltar. Quando o entusiasmo inicial começa a ser tomado pela sensação de fracasso, pela sensação de falta de apoio, pelo desgaste. O futebol não é uma “ciência exacta”, e como acontece dentro das 4 linhas, num jogo existem muitos factores previsíveis e imprevisíveis que condicionam o sucesso, e nos minam a vitória. Na gestão desportiva, na gestão do futebol é mais complicado ainda. Aumenta o número de variáveis. Soluções? Não sei…mas vou ficar para ver.

Por favor corrijam-me se estiver errado…

P. Couto

Agora é que vão ser elas #1 – Na corda bamba

Agora é que vão ser elas #2 -Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Agora é que vão ser elas #3 – Camaleão… de que cor?

Agora é que vão ser elas #4 – Regresso ao passado XIX…

Agora é que vão ser elas #5 – Discriminação ou Incompetência

Agora é que vão ser elas #6 – Bater no Ceguinho

Agora é que vão ser elas #7 – Tomem lá mais do mesmo…

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Tomem lá mais do mesmo…

No fim-de-semana passado arrancou o Campeonato de Promoção de Futebol Feminino. Finalmente…

Fizeram a reestruturação do Campeonato de Futebol Feminino 1ª Divisão em que subiram 5 equipas e como é natural tiveram que reestruturar também a 2ª Divisão, ou melhor, o Campeonato de Promoção. Neste momento é composto por 5 séries, duas com 5 equipas cada e as restantes três com 6 equipas. Logo no arranque tivemos más notícias, a equipa do Armil nem sequer se estreou. Como a própria Federação escreve aos sócios e interessados, a equipa do Armil DESISTIU…

Na época passada, na então série A da 2ª Divisão aconteceu exactamente a mesma coisa. A primeira fase da prova tinha como participantes as equipas: CP Martim, Leixões, Felgueiras, Sequeade, Vinhós e Pico de Regalados. Estas duas últimas também fizeram como o Armil, e desistiram, sendo que a primeira fase da prova se realizou apenas entre 4 equipas. Em termos de competição foi anedótico e desmotivador, pois existiram imensas paragens e as equipas que passaram à 2ª fase da prova para apuramento de campeão, CP Martim e Leixões, estavam claramente inferiores às restantes equipas. Falta de ritmo competitivo digo eu…Ora este ano tomem lá do mesmo…De novo 4 equipas para competir.

Correndo o risco de me repetir, como é que é possível promover futebol se os clubes, a essência do futebol, desistem? E diga-se que os clubes para desistirem não é porque queiram, é porque realmente são obrigados a isso. Não têm condições de subsistir e pura e simplesmente fecham. Não faço ideia se o Armil desistiu apenas por questões financeiras, mas o que é certo é que é uma realidade demasiado dura e presente.

Não sou dado a bairrismos, mas sem dúvida nenhuma que o Norte está, a cada dia que passa, a perder força. Nesta história que vos conto, existe apenas um denominador comum, as 3 equipas estavam inscritas na Associação de Futebol de Braga. Há alguma equipa no resto do País que tenha desistido nestes últimos anos (que tenha sido dada como participante) nas competições em vigor? Já agora ajudem-me nisso… Pelo que conheço não! Não é a Associação que tem o dever de financiar o clube, é óbvio, daí que pergunto: Será que é só o norte que está a pagar a crise que apregoam?

Na equipa do Odivelas, Campeã da 2ª Divisão 2008-2009 que, por motivos internos não conseguiu assegurar o financiamento da equipa e, daí não foi inscrita na presente época; as atletas trataram de arranjar novo clube, o CF Benfica, que de algum modo conseguiu ou vai conseguir (assim o espero) os cerca de 20 mil euros necessários para assegurar a época a qualquer clube. Sim não falamos de 7 a 15 milhões que as equipas equiparadas no masculino gastam, falamos em apenas cerca de 20 mil euros, mais coisa menos coisa. Serão os clubes do norte assim tão fracos que não se saibam mexer ou bater à porta de quem possa ajudar (o pouco que seja)? Ou serão os patrocinadores que pura e simplesmente cortam nas despesas consideradas dispensáveis? Onde andam as empresas que podem ajudar?

Para praticar desporto é preciso dinheiro. No feminino, a eterna sina parece ser ficar até se esgotar a FONTE, depois como os gafanhotos, saltam para outras paragens, onde houver alimento…

Por favor corrijam-me se estiver errado…

P. Couto

Agora é que vão ser elas #1 – Na corda bamba

Agora é que vão ser elas #2 -Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Agora é que vão ser elas #3 – Camaleão… de que cor?

Agora é que vão ser elas #4 – Regresso ao passado XIX…

Agora é que vão ser elas #5 – Discriminação ou Incompetência

Agora é que vão ser elas #6 – Bater no Ceguinho

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Campo de Tal
15:00
10 de Outubro de 2009

Bater no ceguinho…

Todos os anos se vêem os mesmos textos, as mesmas críticas, as mesmas reivindicações. Altera-se a imagem, atribuem-se nomes pomposos, altera-se toda a fachada. No entanto, o conteúdo mantém-se inalterado. Transportam a bandeira do desenvolvimento do futebol feminino em Portugal mas claramente não devem saber o que fazem.

O último jogo oficial da época 2008-2009 foi a 4 de Abril de 2009. Foram precisos 149 dias até sair um primeiro comunicado relativamente à nova época desportiva. O primeiro documento oficial a ser publicado, foi no dia 31 de Agosto de 2009, e era referente ao Campeonato Nacional de Futebol Feminino – 1ª Fase. No dito documento estão definidos os jogos e, vejam só, a primeira jornada está marcada para dali a 12 dias portanto no dia 12 de Setembro. Não lembra o diabo. E claro só se refere à 1ª fase da prova que termina a 14 de Março.

Os clubes que militam na 2ª divisão ou no Campeonato de Promoção, como preferirem, ficaram a ver navios….até que volvidos 15 dias (15 Setembro) foi divulgada a data de início do campeonato. O comunicado refere basicamente que a prova irá iniciar a 18 de Outubro. Ufa!!! Toda a gente respirou de alívio, vai haver campeonato… Vá lá, desde 4 Abril 2009 só tiveram que esperar cerca de 7 meses e meio até voltarem a competir…

Como dá ideia que para a Federação, o espaço de 15 dias é o equivalente a 1 dia, no dia seguinte (em 29 Setembro) foi divulgado o derradeiro documento: o Calendário dos Campeonatos de Futebol Feminino. Agora dizem todos em conjunto: Ufa!! Estávamos a ver que não!!! Neste documento temos mais uma novidade referente à Taça de Portugal. Estruturaram a prova de tal forma que a final será disputada a meio da época (10 de Abril). Mais uma medida que claramente vem dignificar e valorizar o Futebol feminino em Portugal.

A Federação indicou que o jogo se irá realizar no “…Distrito de Lisboa em local a indicar oportunamente…” Será que é desta que é no Estádio Nacional do Jamor! E quem diz oportunamente, a avaliar pelo sentido de oportunidade da Federação, já sabem: 1 dia antes, que é como quem diz, 15 dias antes. A data está consistente com a data da época passada, não fosse o facto de este ano ser a meio da época. Dizem que a Taça de Portugal é a FESTA do futebol, o fecho de uma época de suor e sacrifícios, onde todos se unem e celebram a paixão pelo desporto, a paixão pelo futebol! Não fazem muito sentido estas datas.

Sinceramente não sei quem é o responsável por este planeamento, que critérios são utilizados, que estudos são realizados, quem é consultado para o efeito, não faço ideia. Confesso que gostaria de perceber. Não sou nenhum super herói que vem e salva o dia, que estala o dedo e resolve todos os problemas, mas gostava de ver como se processa este PLANEAMENTO para poder dizer: realmente era a melhor opção, são as melhores escolhas, é o melhor possível. Mas de certeza absoluta que se podia fazer melhor pois estes factos, vistos pelo comum dos mortais, saltam à vista. Como pretendem desenvolver o futebol feminino em Portugal nestes moldes? Nestas condições. Como querem que os clubes se organizem e estabilizem, se acontecem estas coisas por responsabilidade do orgão máximo de futebol? Não é possível e vocês sabem-no tão bem como eu! É urgente RESPONSABILIZAR quem tem a cargo o futebol feminino em Portugal.

No dia a dia, os clubes desesperam e aguardam dias melhores, mas sinceramente já cansa. Olho para as atletas porque são elas a ESSÊNCIA do futebol e vejo atletas desmotivadas, não a paixão pelo futebol pois caso contrário estávamos muito mal, mas desmotivadas com as direcções dos clubes, e estes por sua vez com as Associações e estes com a Federação. Dá ideia que andamos a brincar com o esforço delas. Que, de certo modo estamos a brincar ao futebol e diga-se que, para quem todas as semanas dá o litro dentro de campo, não vê com muito bons olhos esta situação.

Confesso que a cada dia que passa até eu me sinto assim, desmotivado. Também eu questiono o esforço e os sacrifícios que são feitos, em prol do futebol. Vejo capitães de luta a esmorecerem, vejo luzes a apagarem-se, vejo portas a fecharem-se. Mas não vou bater mais no ceguinho. Outros virão com o mesmo entusiasmo que eu tinha e amanhã será um dia melhor…assim o espero!

Por favor corrijam-me se estiver errado…

P. Couto

Agora é que vão ser elas #1 – Na corda bamba

Agora é que vão ser elas #2 -Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Agora é que vão ser elas #3 – Camaleão… de que cor?

Agora é que vão ser elas #4 – Regresso ao passado XIX…

Agora é que vão ser elas #5 – Discriminação ou Incompetência

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Discriminação ou Incompetência?

Ocorre-me neste momento mais uma série de palavras para descrever e tentar perceber o que vai acontecer este fim-de-semana. Como é do conhecimento geral da sociedade, no próximo dia 27 de Setembro, irão realizar-se as eleições Legislativas em Portugal. Votar é um direito que temos em plena liberdade já desde o 25 de Abril de 1974. Infelizmente, cerca de 50 ou 60 % da população portuguesa que está em condições de exercer esse direito não o faz, talvez por descrédito na classe política, indiferença ou ignorância. E perguntam vocês: mas não era suposto este tipo estar a falar de assuntos de futebol? Já se está a meter em política? Nada disso, agora temos um outro motivo para nos desculparmos de ir votar, que é o futebol. No próximo dia 27, ao contrário de todas as previsões e contra tudo o que seria considerado procedimento normal, vão-se realizar jogos do Campeonato Nacional de Futebol Feminino. Sim, eu vou repetir, no próximo domingo, dia de eleições Legislativas, existem compromissos desportivos aos quais os clubes não podem falhar.

Então a pergunta que se coloca é: como é que é possível acontecer uma situação destas? A resposta a meu ver é muito simples: DISCRIMINAÇÃO e/ou INCOMPETÊNCIA. Será que na federação se esqueceram que as mulheres agora também podem votar? Ou então será que não é pelo sexo que estão a ser esquecidos mas sim pelo “tamanho”? Ah e já agora as mulheres podem jogar, os homens não. Há paragem do campeonato nacional masculino. A meu ver, aí não seria tão grave uma vez que a maior parte dos jogadores que actuam no campeonato masculino nem são portugueses. Será que o Deco Liedson e Pepe vão votar?

Será porque os clubes femininos são filhos de um Deus menor? Para bem deste país, quer em termos de sociedade quer em termos de desenvolvimento desportivo de uma modalidade, espero que não…

Se não é discriminação, podemos dizer que foi incompetência da federação e/ou distracção dos clubes que não se souberam precaver desta situação. É inconcebível um país que se diz desenvolvido acontecerem situações destas. Esta situação vai concerteza engrossar a lista de abstenção. Os clubes estão mesmo rodeados de gente cegueta! Se já sabiam que ia acontecer esta situação, porque não fizeram a alteração dos jogos para outra data? Perguntei a uma série de pessoas ligadas ao futebol e a resposta é clara: “os tipos que fizeram o calendário são mesmo uns incompetentes, marcaram jogos para dia de eleições, isso não é legal”. Pois eu não sei se é legal ou não, o que é certo é que daqui a 15 dias temos também as eleições autárquicas, e aí (reparem só neste pormenor) os jogos previstos para o dia 11 foram todos antecipados para o dia 10 de Outubro. Ou seja, toda a gente partiu do pressuposto que os jogos em dia de eleições legislativas iam ser alterados também. Foram todos apanhados com as calças na mão. Os clubes vão ter que assumir os compromissos e realizar os jogos, as mesas de voto terão concerteza menos gente.

Existe também outra explicação, talvez um pouco mais Holliwoodesca, de que esta situação serve os interesses de alguém. Neste país faz-se tudo a pensar exclusivamente na Selecção. É que depois de um jogo em Itália, é preciso tempo para recuperar. E se o regresso estava marcado para ontem, os jogos do campeonato são um bocado em cima. Então toca a contornar um bocadinho a lei. Eu sou completamente a favor da selecção. Tem em mim um adepto fervoroso, mas estas situações de secretaria tiram do sério, o mais pacato dos santos.

Tenham lá paciência…os senhores da Federação que andam sempre de bandeira na mão a dizer: desenvolver e apostar no futebol feminino, não se esqueçam que existem DIREITOS fundamentais que não podem ser esquecidos.

Agora minha gente, se depois de uma semana dura de trabalho, tiverem que se levantar às 7 da manhã para irem votar e depois ir a correr apanhar o transporte que vos vai levar ao jogo, tenham paciência, mas façam-no! Vão votar! E depois joguem com a mesma força e gana que sentiram quando tomaram conhecimento desta situação. Aposto que vão ser jogos espectaculares!

Que ganhe o melhor…;)

Corrijam-me se estiver errado.

P. Couto

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Agora é que vão ser elas #2 -Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Agora é que vão ser elas #3 – Camaleão… de que cor?

Agora é que vão ser elas #4 – Regresso ao passado XIX…

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Regresso ao passado XIX…

Esta época correu excepcionalmente bem, a todos os níveis.

A época foi muito bem estruturada e organizada pelos responsáveis da Federação e Associações. Não houveram quebras nos campeonatos, excepto aquelas em que a atletas foram defender a camisola Lusa, no apuramento para o Mundial de Futebol Feminino do próximo ano, a realizar em Portugal. Vamos ver se conseguimos chegar aos quartos de final de novo, ou até quem sabe conseguir melhor. Força nisso! Portugal inteiro está a torcer por isso! A organização atempada dos campeonatos e a criação de condições em Portugal para a prática de Futebol, todos os investimentos feitos, estão finalmente a dar frutos.

Todos os jogos dos campeonatos decorreram sem incidentes ou casos esquisitos de arbitragens. As equipas de arbitragem estão de parabéns, são cada vez mais “profissionais” e isentas. A final da Taça de Portugal no Estádio Nacional teve a maior adesão de sempre de adeptos, de norte a sul. A qualidade do futebol praticado pelas equipas femininas é cada vez melhor.

Para todas atletas foi também excepcional, não ocorreu nenhuma lesão com gravidade, algumas mazelas, mas todas elas facilmente recuperáveis. Todas as equipas que actuam no futebol feminino 11 tiveram pelo menos uma representação na Selecção, o que mais uma vez denota a qualidade das atletas e o equilíbrio de forças entre os clubes.

Do 25º Encontro Nacional de Dirigentes e Treinadores de Futebol Feminino, saiu uma nova resolução com medidas de cooperação entre clubes e novas medidas de apoio e incentivo à modalidade, tendo principal incidência a formação de atletas. Esta época decididamente vai ficar para a História do Futebol Feminino como a melhor de todos os tempos…Parabéns a todos.

Ups…lá estou eu a sonhar de novo!

Peço desculpa! Deixem-me concentrar: Época 2009-2010, Campeonato Nacional Futebol Feminino 1ª Divisão, início 12 de Setembro, já daqui 3 dias!! Sou sincero, ainda não sei quando começa o Campeonato da 2ª Divisão, ou Campeonato de Promoção como lhe chamam de novo (desculpem a ignorância).

Façam todos o V/ papel: Dirigentes, Treinadores, Fisioterapeutas ou Equipas Médicas, Atletas, Adeptos, Patrocinadores, etc etc., e vão ver que o sonho será uma realidade! O que é preciso realmente é força e trabalho por parte de toda a gente.

Força !! Um excelente campeonato para TODOS!!

P. Couto

Agora é que vão ser elas #1 – Na corda bamba

Agora é que vão ser elas #2 -Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Agora é que vão ser elas #3 – Camaleão… de que cor?

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Camaleão…de que cor?

A acusar o amadorismo do meu envolvimento no futebol, a transição entre novas épocas tem para mim muita carga emocional. Talvez seja causado pelo stress da preparação da época: organizar uma direcção, arranjar dinheiro, porque sem isso esqueçam, nem sequer arranca a época, escolher a equipa técnica ou reformulá-la, manter jogadoras, angariar novas jogadoras, e nalguns casos preparar os locais dos treinos e jogos e claro toda a logística que acompanha todas estas acções. Para ser verdadeiro nada disto me chateia, pelo contrário, talvez seja mesmo o que me motiva e apaixona, ver demasiadas variáveis a serem construídas e trabalhadas com um único propósito: criar uma equipa, um todo. E quem se dá a este trabalho e consegue só pode ter uma equipa vencedora. O que realmente me incomoda um pouco são as pessoas, as suas atitudes…Nem toda a gente é igual.

Acho giro quando alguém refere que tem um PROJECTO para uma equipa de futebol. Um projecto sugere qualquer coisa arquitectada e validada, com alicerces bem cimentados que só com uma grave intempérie poderá ser abalada até ao seu fim. Mas no futebol talvez não seja bem assim. Basta soprar uma pequena brisa e tudo esvoaça e se desmorona. O que antes era um projecto de futebol deixa de o ser, e passa a existir noutro lado, ainda com mais reforço de projecto. Um projecto melhor. E no fim da época pode aparecer um projecto ainda melhor e então parte-se para o projecto ainda melhor. E quando se muda, os ditos projectos anteriores morrem. O que quero dizer com isto é o seguinte: as pessoas com peso, os comandantes, que tem responsabilidade de manter os clubes de pé, no futebol feminino, parecem ser como os camaleões, consoante os perigos, mudam de cor, que é como quem diz, mudam de projecto. Conheço por exemplo o caso de 2 treinadoras que no espaço de 8 anos estiveram cada uma no mínimo em 3 clubes diferentes, 3 projectos diferentes, sendo que à medida que o projecto mudava, o anterior extinguia-se, ou seja, o clube acabava. Atenção, não pretendo acusar as ditas treinadoras pois elas são apenas o visível da questão, falo da capacidade dos clubes, eles próprios serem um projecto, independentemente das pessoas. Falo de os ditos alicerces não serem baseados nos ombros de determinadas PESSOAS mas sim cimentados em VALORES com uma FILOSOFIA própria, que independentemente de mudarem as pessoas, o dito projecto continua. Talvez assim seja um bom projecto. Claro que quem segue por este caminho corre o risco de não ser campeão nacional de futebol, pois não tem nomes sonantes na equipa técnica ou mesmo atletas, e os patrocinadores não sejam abundantes, pelo contrário, mas tem muitas mais probabilidades de daqui a 20 anos ainda existir. Não se deixem enganar pela capacidade dos camaleões…

Partindo do princípio que um determinado clube tem o seu projecto cimentado em valores e a tal filosofia própria, nada tem a temer. Aí os treinadores ou jogadoras, e até membros da direcção, que na época passada se revelaram excepcionais e com provas dadas, podem perfeitamente ser sugados para uma equipa que ofereça melhores condições ou que tenha um projecto melhor, caso desejem. PODEM. O clube não acaba por causa disso. Acho até que pelo contrário, ganha com isso. Quem muda leva na bagagem experiência para transmitir a outros e vai ganhar de certeza novas situações e experiências. Toda a gente ganha. De certeza que na época seguinte novos valores se levantam e novas surpresas surgem. Assim evoluímos o futebol. Ninguém fica preso a nada, e os clubes continuam a existir e a promover o futebol. Continuam a debitar talentos para o MERCADO. Não é esse o objectivo: promover a modalidade de futebol feminino?

Obviamente como referi anteriormente quem não vai por este caminho corre o risco ser campeão nacional. Pode ter como comandante da equipa técnica um Sr. Mourinho ou então um plantel com cerca de 50% das atletas que constituem a Selecção Nacional Feminina, mas o risco destas equipas é maior. Se fogem os pilares=pessoas o clube afunda-se. Qual será o melhor caminho?

Os clubes são todos diferentes, nem todos têm os mesmos objectivos. Não existe um certo e um errado. Existem sim clubes que chegam a completar décadas de existência em contínuo, outros nem por isso…quem está a prestar melhor serviço ao futebol?

Por favor corrijam-me se estiver errado…

P. Couto

Agora é que vão ser elas #1 – Na corda bamba

Agora é que vão ser elas #2 -Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

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Mudam-se os tempos mudam-se as vontades…

Existe um aspecto no futebol que sempre me intrigou e, muito provavelmente, ainda não compreendo, depois de ter dedicado algum do meu tempo a reflectir sobre isso. A prática de futebol esteve reservada durante muitos anos ao sexo masculino. Creio que a diferença de idades entre o primeiro clube masculino e o primeiro clube feminino, é de cerca de 100 anos. Actualmente, as equipas profissionais masculinas são esmagadoramente superiores em número, às femininas. Em Portugal, até à data, não existe NENHUMA.

Será normal pensarmos que em termos evolutivos, as equipas masculinas estão um século à frente das equipas femininas. E partindo do princípio que a evolução tende a estabilizar, haverá algum ponto no tempo em que as equipas femininas vão estar ao mesmo nível que as masculinas…Na Europa e na América já existem números consideráveis de equipas profissionais femininas. Assim sendo, não será de todo descabido pensar que daqui a bem pouco tempo, teremos equipas profissionais portuguesas, e a nível mundial existirem competições mistas. Devagar, devagarinho, Portugal acompanha a evolução dos tempos. A minha estimativa será que, aproximadamente daqui a meio século, será uma realidade o que vos escrevo. Ou não?

Por acaso estou curioso sobre o que diriam os clubes que actuam em Portugal sobre este assunto.

Só posso falar-vos da realidade que conheço. Existem clubes em que as atletas PAGAM para jogar. Não falo de escolinhas. Não falo de uma verba que lhes é exigida no início do campeonato. Falo no decorrer do campeonato, na compra de equipamentos, em algumas deslocações, o transporte e a alimentação. Já se viu atletas a fazerem uma vaquinha para juntarem dinheiro para pagar às forças policiais, cuja presença é obrigatória. E muito bem, não vá alguém assaltar os balneários e o roubo ser ainda maior…

Ora bem se PAGAM para jogar significa que não podem fazer disso profissão. Era muito mau. Pagar em vez de receber. Ora a palavra-chave deste palavreado todo é mesmo RECEBER. Neste momento, em Portugal, sem qualquer rigor científico (porque perdoem-me a ignorância (ou não) não faço ideia onde recolher estes dados) eu diria que cerca de 90 % das pessoas ligadas ao futebol feminino não tem qualquer tipo de remuneração ou compensação monetária. Acontece precisamente o oposto com as pessoas ligadas aos clubes masculinos, independentemente de serem profissionais ou amadores. Se tomarmos como referência o que vai acontecendo nos outros países, a tendência é que os clubes paguem aos seus colaboradores, sejam eles equipa técnica, atletas ou direcção. Mas será esse o caminho? E neste caso não falo só no futebol feminino. Eu até me arrepio se ver os montantes que por exemplo o Cristiano Ronaldo recebe. Até onde isto vai parar? Neste momento os patrocínios às equipas femininas são muito poucos. A única compensação que estes 90% das pessoas tem é a satisfação pessoal. A paixão por uma modalidade. A paixão por uma terra. Quer queiramos quer não, uma equipa de futebol é um conjunto de pessoas que representam uma dada região ou localidade. Representam o dinamismo, o esforço, o empenho, a entrega de uma dada localidade ou região, e se unem com um único propósito – jogar futebol. Os ditos grandes clubes foram transformados em empresas, empresas essas que, como em qualquer ramo de actividade, precisam FACTURAR para sobreviver. Estão a imaginar daqui a alguns anos, a Casa do Povo de Martim SAD a fazer também uma contratação milionária? E o espírito do verdadeiro clube para onde vai?

Será que os grandes visionários do futebol em Portugal têm alguma estratégia em relação a este assunto? Ou alguma opinião mesmo? Não faço ideia se os grandes clubes visionaram serem grandes empresas. Será mesmo esse o futuro que está reservado ao futebol feminino em Portugal? Quais são as linhas orientadoras? Eu remeto-me à minha humilde opinião mas gostaria sinceramente de ver alguma luz, pois questiono-me sobre o esforço que os clubes fazem neste momento, tendo em atenção ao que o futuro lhes reserva. As perspectivas para futebol feminino em Portugal, não são muito animadoras. Mas já o poeta dizia: “…sempre que Homem sonha, o mundo pula e avança, como uma bola colorida entre as mãos de uma criança…” Lá para o ano 2059 digam qualquer coisa…

Por favor corrijam-me se estiver errado…

P. Couto

Agora é que vão ser elas #1 – Na corda bamba

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Na corda bamba…

Aceitei colaborar com o site da Casa do Povo de Martim ao escrever uma crónica quinzenal sobre o pouco que sei sobre futebol feminino em Portugal, mas prometo dar o meu melhor. Já a minha 1ª obra tinha sido produzida e zás, morreu por ali, tive que mudar de assunto…

Não sei se tiveram oportunidade de ver a notícia que vem espelhada no site do Odivelas FC… O clube de Odivelas, que aparentemente respirava saúde, ACABOU…Pondo-me no lugar da Casa do Povo de Martim, creio que decididamente não era desta forma que o clube queria subir à 1ª divisão, mas se reuniram todas as condições para o fazer, na época que se avizinha, não vejo porque não aceitar. Por acaso já alguém reflectiu o que aconteceria se a Casa do Povo de Martim NÃO aceitasse o convite feito pela FPF? Mais uma badalada reestruturação da competição no Futebol Feminino em Portugal e não temos equipas suficientes, ou pelo menos equipas com condições para competir a este nível, ai meu Deus! Ou então aquelas que parecem ir de vento em poupa e perdem-se em mar alto…

De certo modo fico um pouco aliviado, apesar de cada vez mais desiludido. Pensava que só cá no norte o dirigentes desportivos, especialmente os que tem responsabilidade acrescida (Associações e Federação) se estavam a borrifar para nós – futebol feminino. Peço desculpa, talvez borrifar seja uma palavra demasiado forte, talvez distraídos com qualquer outro projecto. Pelos vistos, infelizmente, no nosso país é natural, pois em todas as áreas, andamos todos distraídos…Com o quê, não me perguntem! Uma equipa campeã Nacional da 2ª Divisão fecha portas assim do pé para a mão. Fico é curioso com um pormenor, nem todos os escalões do clube acabaram, o Futebol Feminino sim. A pergunta que me assalta é: os outros escalões do clube tem a mesma projecção do que uma equipa a competir a Nível Nacional? E logo na 1ª Divisão? Que objectivos tem os clubes em Portugal para deixarem cair projectos excelentes? Fazer um bom ou um mau trabalho, recebem o MESMO, o trabalho e as responsabilidades normalmente são bem MAIORES…

Todo santo dia somos bombardeados com mil e uma notícias e informações: nos jornais, nas revistas, na TV, na Internet…só de imaginar até cansa! Devo ser mesmo maluco, pois no meu pequeno mundo, só uma pequeníssima minoria parece estremecer e dar pulos de alegria quando se lê por exemplo: a equipa de Futebol Feminino, o 1º de Dezembro, está na Dinamarca a disputar a UEFA Champions League. E a abrir deu goleada! Oh meu Deus será que Portugal evoluiu assim tanto? Mas logo de seguida leio: a equipa do Odivelas ACABOU, e aí pronto, aí está bem, isso já é uma notícia normal se ler: clubes a desistir, clubes a fechar (e então aí a indiferença da sociedade é total!)

Experimentem perguntar ao vosso(a) vizinho(a) ou a um(a) colega de trabalho sobre o que acabei de escrever. O que acham que vai responder? – Ah já ouvir falar dumas raparigas que jogam futebol e parecem ter jeito e tal. Agora o clube que fechou, não faço ideia, de certeza que precisaram do dinheiro para outras coisas, só pode. – Mas o pobre do homem ou mulher, sabe pouco sobre o que diz. A realidade do futebol feminino português é bem dura. Quem está no meio sabe bem o que digo. É de louvar as equipas como por exemplo a Casa do Povo de Martim (estou a aproveitar e dar graxa à Sandra) que se mantém em actividade contínua à 11 anos. Mas alguém na Federação Portuguesa de Futebol ou alguém mais próximo dos clubes, as Associações de Futebol, já fizeram algum estudo a sério, sobre as necessidades dos clubes? Sobre as suas dificuldades? Que tipo de acompanhamento dão ao futebol feminino? Dá ideia que ninguém quer saber de nada…dá muito trabalho e chatices. – As atletas do Odivelas arranjam outro clube para jogar, senão o Director responsável pela situação que resolvesse, não é problema nosso – Mas parem e pensem! Elas vestiram e honraram uma camisola durante uma época inteira, melhor creio não ser possível terem feito, e agora que iam gozar do esforço de um ano inteiro dizem-lhes: o Clube acabou! Claro que dar um tiro ao próprio pé não é assim muito boa ideia, se pretendemos andar, muito menos correr… mas também o pessoal das Associações e Federação esquecem-se que o seu “posto” só existe porque existem clubes. Os clubes que querem mesmo, dão duro para continuarem, e estão sempre na corda bamba. No dia em que os clubes saturarem definitivamente, aí sim talvez se veja algum fumo, aí sim talvez sejam eles a ir para o “desemprego”…Agora meus senhores e senhoras promoção do futebol feminino em Portugal, digam-me onde, como e quando, porque definitivamente não devo a estar a ver bem…

Por favor, corrijam-me se estiver errado…

P. Couto