‘No dia em que eu parar de chorar e me emocionar não vou mais sentir prazer em jogar futebol’, diz craque brasileira
Entre 2006, na primeira vez em que Marta foi eleita a melhor do mundo, e 2009, o endereço da festa de premiação da Fifa em Zurique mudou, o futebol feminino mudou e Marta, também. Mas uma coisa continuou do mesmo jeito. Quando o nome de Marta como a número 1 do ano foi anunciado, lá estava ela a subir o palco com lágrimas nos olhos. Da mesma maneira que nos últimos quatro anos.
- Se eu parar de chorar é porque não me emociono mais. E no dia em que eu parar de me emocionar não vou mais sentir prazer em jogar futebol. Eu quero continuar assim, do mesmo jeito, porque estou fazendo o que amo – afirmou Marta, com o troféu nas mãos. – Esse vai para Maceió. Na casa da minha mãe já não tinha mais espaço. Mas a gente sempre dá um jeitinho – ri.
A lista de agradecimentos de Marta é enorme, mas ela faz questão de lembrar de todos que tiveram participação no sucesso que alcançou. De férias, ela vai voltar a Alagoas para estar ao lado da família e perto de onde começou. Mas ela planeja em janeiro uma viagem à Suécia, onde despontou para o futebol mundial.
- Eu sinto até saudade de lá, mesmo com o inverno bastante frio. Vou dar um jeito de ir lá reencontrar o pessoal.
Com apenas 23 anos, Marta diz não saber até onde pode chegar. Mas sabe o que quer:
- O futebol feminino está começando a ser uma realidade e espero que continue nesse momento maravilhoso, que não pare por aqui. Quero ajudar os clubes a buscar patrocínios e desenvolver o futebol feminino, para que mais e mais pessoas possam se interessar pela modalidade. Temos um grande futuro pela frente.
Marta foi eleita a melhor do mundo em 2009 com 833 pontos, 543 a mais do que a segunda colocada, a alemã Birgit Prinz, que estava empatada com Marta com três premiações até a noite desta segunda-feira em Zurique. A brasileira Cristiane terminou em quarto lugar, com 239 pontos, ficando ainda atrás da inglesa Kelly Smith, com 252.
Não faltaram agradecimentos ao Los Angeles Sol, equipe da liga profissional americana, e ao Santos, onde teve uma curta e bem sucedida passagem no fim de 2009.
- Foi rápido, mas muito positivo para o futebol feminino no Brasil. A Libertadores também foi um grande passo, que dará frutos com o Mundial de Clubes no feminino também. E ainda terminamos o ano com 25 mil pessoas no Pacaembu vendo um jogo da seleção brasileira mesmo num torneio sem o mesmo valor dos Jogos Pan-Americanos ou de um Mundial. Faltou ser campeã nos EUA, mas não posso me queixar de 2009.
In globoesporte.globo.com
















